AA Arquitetura e Ambiente - Projeto e construção
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Arq. Helena Maria Oestreich
REPORTAGEM
Ecologia pela porta da frente
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A numerologia mandou colocar dois "L" nas janellas. A arquiteta - proprietária aceitou: batizou sua pousada de Janellas do Mar. A ecologia conscientizou para que o espaço fosse erguido em plena harmonia com a natureza. E, novamente, houve a concordância. Entre numerologia e ecologia, nasceu a pousada Janellas do Mar, em Búzios.
O mote principal, claro, é a ecologia. A arquiteta gaúcha Helena Oestreich comprou o terreno de 2.000 metros quadrados – próximo às Praias dos Ossos, João Fernandes e à Armação – e comprometeu-se com ela mesma: para construir a pousada, deveriam ser derrubadas poucas árvores, o mínimo possível. Dito e feito: a vegetação nativa continua lá, praticamente intocável. Maravilhosa!
O respeito à natureza, também entra pela porta da frente. Os quartos, salas, cozinha e outros ambientes são naturalmente ecológicos. Os móveis são de madeira de demolição; os cabides, de bambu; as paredes, pintadas com tinta feita artesanalmente. A equipe de Escala visitou o local e mostra, nesta reportagem, uma "janela" do que viu.
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Origem de tudo – Nada de modismos mais recentes. Só de "relação profissional com a natureza" são mais de 20 anos. Helena explica: "Trabalhei em Furnas durante 22 anos, como arquiteta focada nas questões do meio ambiente".
A construção da pousada começou no início de 2001. A inauguração ocorreu em novembro do ano seguinte. Foram 21 meses de obra, para construir os dois blocos – um com cinco suítes e outro com seis. "Tenho um apartamento no Rio, mas fico em Búzios a maior parte do tempo. Com a pousada, consegui colocar em prática o que eu vinha discutindo no IAB e na minha vida", diz a arquiteta.
Diferenciais "verdes" – Na hora de construir, o que não poderia faltar à pousada com proposta de estar em sintonia com o meio ambiente? A maioria dos itens listados está lá; e eles podem ser vistos, apreciados e, em alguns casos, experimentados. "Os colegas arquitetos sempre fazem perguntas sobre o uso da energia solar, e eu sempre digo que estou satisfeita. Coloquei coletores solares para todos os banheiros, e isso garante uma diminuição considerável no consumo de energia elétrica. Então, é menos poluição no planeta", comemora Helena.
Outro item que chama a atenção: todas as janelas e portas da pousada são peças retiradas de demolições. É a teoria da reciclagem posta em prática. Em todas elas, belas marcas do tempo na madeira.
Por falar em madeira, todos os parapeitos, varandas e corrimões foram feitos com madeira de reflorestamento.
Ferros de demolição no piso. Que ninguém estranhe, pois eles aparecem num ou outro cômodo. Ajudam a fazer desenhos geométricos juntamente com os ladrilhos hidráulicos utilizados. O material mais recorrente nos pisos, no entanto, é o cimento queimado, que pode ter sido colorido com pó-de-mármore e cimento branco. Aliás, que se destaque: as cores escolhidas são vibrantes e dão um visual alegre e de alto astral nos ambientes em que são usadas.
No projeto, aparecem as palavras "subcobertura aluminizada". "Ela foi feita com material térmico e fica entre a telha e o forro. Os objetivos são a impermeabilização e diminuição de ruídos e calor no interior", explica Helena.
O que passa quase despercebido é a "pintura ecológica" presente em todas as paredes, com exceção das brancas (que refletem o calor).Em vez de tinta industrializada, a arquiteta optou por tinta produzida artesanalmente. Ela ensina a composição: "Cimento, cola, cal, água e pigmento. Fica uma tinta natural, que permite à parede respirar mais".
Na decoração, móveis e objetos de demolição merecem destaque. Não se consegue passar pelos lustres feitos com materiais de demolição sem parar um bom tempo para admirá-los. Nos quartos, os cabides de bambu dão o tom peculiar, fora do usual.
A respeito da construção, Helena conta que teve alguma dificuldade para que ela saísse do jeito que queria, mas que, no final, tudo deu certo. "Os operários estão acostumados com o processo construtivo tradicional e com os materiais-padrão. Quando você sai disso, tem que perder um tempo explicando e reexplicando o que quer. É preciso ficar de olho", alerta.
Entre os que já se hospedaram, Helena diz que os estrangeiros ficam mais atentos e valorizam mais as adaptações da pousada. Sobre a arquitetura e o urbanismo nacionais, ela pensa que ainda terão que caminhar bastante no sentido da sustentabilidade ambiental. "As nossas construções ainda são ecologicamente incorretos", opina.
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